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Tito 2.11-14: Graça que educa

Igreja Presbiteriana de Viçosa (IPV)
Universidade Federal de Viçosa (UFV)

Tito 2.11-14: Graça que educa

(11) Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, (12) educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente, (13) aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus, (14) o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras.

Perspectiva geral

A carta de Tito:

No texto que vem logo antes, Tito 2.1-10, lemos os deveres de vários grupos da Igreja:

Agora, Paulo se dedica a responder à pergunta: qual o fundamento desta atitude cristã que é tão exemplar diante da vida, da sociedade, do trabalho e de Deus?

O Fundamento da ação cristã

O centro deste texto é, justamente, estes versículos 11 e 12. A afirmação nestes pequenos versos contêm o coração do Evangelho e da Bíblia toda. “A graça de Deus que se manifestou e se revelou para que todos os homens possam ser salvos, educa, prepara os que foram alcançados pela bênção da salvação, para que gozem de uma vida verdadeiramente espiritual.” (J. C. M., Tito, meu filho). Dentro destas palavras sobre a Graça, destacamos duas: se manifestou e educando-nos.

A graça se manifestou

Embora não cite, Paulo tem Jesus em mente:

Deus, desde a eternidade, resolveu tornar-se membro da nossa raça a fim de salvar-nos. A graça, nada mais é, que este ato voluntário de Deus. O ato de se encarnar, de descer à terra como verdadeiro homem, se humilhando e tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz, para que todos que nele creem, recebam a vida eterna. O que Paulo chama de graça é este ato soberano e maravilhoso de Deus: descer à terra para padecer, uma única vez, pelos pecados, para conduzir todos os homens a Deus.

Pergunto, então, o que é a manifestação desta graça senão a própria vida do Cristo?

A graça nos educa

Esta graça, ainda além da revelação, como vemos no texto, nos traz um inesperado benefício: ela nos educa. Se, de um lado, o mundo caído tenta, a todo custo, fazer emergir em nossos corações os seus valores, de outro, Cristo nos dá o seu próprio exemplo para combatermos em nós os valores do mundo e do pecado.

O objetivo principal da graça de Deus é a salvação, mas Deus nos amou de maneira tão poderosa que a mesma revelação tem poder pedagógico sobre nós, para nos ensinar:

De que adiantaria se a vinda de Cristo, a grande verdade redentora, se apresentasse para nós de maneira fria e repentina? Do que aproveitaríamos dela? Ora, a carreira terrena de Jesus Cristo é um ato tão rico em misericórdia e amor, que não só manifesta a redenção, como nos dá o exemplo máximo, o ensino máximo, de que fazer diante dela, de como aproveitá-la e de como viver dignamente dela.

Se conhecemos a vida de nosso senhor Jesus, seremos educados por força irrestível do seu exemplo, após a operação poderosa do Espírito na nossa regeneração e conversão, ao ardente desejo de vivermos uma vida reta, de bom senso e de piedade.

Concluindo: vivendo reta, sensata e espiritualmente neste mundo

A graça nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões deste mundo, e a abaraçar a sensatez, a justiça e a piedade! Olhemos o exemplo de Cristo. Olhemos o nosso exemplo diante do mundo. A Fé/Fidelidade do homem justo nada mais é que a vida em que os valores espirituais são supremos, e que se caracteriza pela boa conduta e o bom senso.

Frase do Kierkegaard:
"O que importa é saber o que Deus realmente quer que eu faça; a coisa crucial é encontrar a Verdade pela qual estou disposto a viver e morrer. Mas que diferença faria se ela aparecesse derrepente diante de mim, fria e nua, sem se importar que eu a reconheceria? O que eu preciso não é apenas conhecê-la, mas fazê-la viva em mim, e é isto o que reconheço como mais importante.

É isso que preciso para viver uma vida humana completa, de modo a conseguir me ligado às raízes mais profundas da minha existência; através do que sou enxertado no divino, ao qual me agarro mesmo que o mundo possa desabar. É disso que preciso, e é por isso que luto."