Tito 2.11-14: Graça que educa
Tito 2.11-14: Graça que educa¶
(11) Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, (12) educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente, (13) aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus, (14) o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras.
Perspectiva geral¶
A carta de Tito:
Para um jovem pastor, Tito;
Chamado a retornar ao evangelho vivo: “No tocante a Deus, professam conhecê-lo; entretanto, o negam por suas obras; é por isso que são abomináveis, desobedientes e reprovados para toda boa obra.” (Tito 1.16, ARA).
No texto que vem logo antes, Tito 2.1-10, lemos os deveres de vários grupos da Igreja:
Os homens e mulheres idosos (v. 2-3): Serem sóbrios, reverentes, sadios na fé, no amor e na paciência, não caluniadores, mas mestres e exemplos do bem;
As mulheres jovens (v. 4-5): Amarem seus maridos e filhos, serem sensatas, puras, bondosas e boas donas de casa;
Os moços (v. 6): Serem criteriosos, moderados e donos de si mesmos (autocontrole);
O pastor (os líderes) (v. 1, 7-8): Falar o que convém à sã doutrina e ser, ele mesmo, o padrão vivo de boas obras, integridade e reverência;
Patrões e empregados (v. 9-10): Agirem com obediência, lealdade e honestidade, agradando em tudo e não sendo insubordinados, para adornarem a doutrina de Deus.
Cada um tem papel fundamental em alimentar e fortalecer a congregação, cada qual com seus deveres.
Agora, Paulo se dedica a responder à pergunta: qual o fundamento desta atitude cristã que é tão exemplar diante da vida, da sociedade, do trabalho e de Deus?
Ora, porque (v. 11-12a) “a graça de Deus se manifestou para a salvação de todos os homens, educando-nos”;
Quer dizer, a graça de Deus se manifestou para nossa salvação, ensinando-nos a viver!
O Fundamento da ação cristã¶
O centro deste texto é, justamente, estes versículos 11 e 12. A afirmação nestes pequenos versos contêm o coração do Evangelho e da Bíblia toda. “A graça de Deus que se manifestou e se revelou para que todos os homens possam ser salvos, educa, prepara os que foram alcançados pela bênção da salvação, para que gozem de uma vida verdadeiramente espiritual.” (J. C. M., Tito, meu filho). Dentro destas palavras sobre a Graça, destacamos duas: se manifestou e educando-nos.
A graça se manifestou¶
Embora não cite, Paulo tem Jesus em mente:
A vida de Cristo é o grande evento que revela à humanidade a graça e o amor de Deus, é pelo ato da encarnação que as promessas e as expectativas do A.T. se cumprem;
É na vinda de Jesus Cristo que o amor redentor de Deus, presente em toda Bíblia, é manifesto de maneira plena e total aos homens, com a sua morte e ressurreição coroando-o como Rei da Glória e sendo capaz de salvar todos os homens.
Deus, desde a eternidade, resolveu tornar-se membro da nossa raça a fim de salvar-nos. A graça, nada mais é, que este ato voluntário de Deus. O ato de se encarnar, de descer à terra como verdadeiro homem, se humilhando e tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz, para que todos que nele creem, recebam a vida eterna. O que Paulo chama de graça é este ato soberano e maravilhoso de Deus: descer à terra para padecer, uma única vez, pelos pecados, para conduzir todos os homens a Deus.
Pergunto, então, o que é a manifestação desta graça senão a própria vida do Cristo?
Mesmo que no V. T. a graça estivesse presente, é só na vida de Jesus que o amor de Deus pelos pecadores se torna patente, visível, sensível;
Deus opera a nossa redenção não como um Deus absoluto que, num decreto absoluto decidiu salvar a humanidade, por um ato de sua vontade soberana, simplemente; mas Jesus Cristo é, ao mesmo tempo, o Deus que elege e o homem eleito. O ato de redenção, que começa no coração de Deus na eternidade, manifesta-se na pessoa, vida e obra de Jesus Cristo, que é o salvador de todos os homens e não somente dos judeus. (Adaptado de J. C. M., Tito, meu filho).
A graça nos educa¶
Esta graça, ainda além da revelação, como vemos no texto, nos traz um inesperado benefício: ela nos educa. Se, de um lado, o mundo caído tenta, a todo custo, fazer emergir em nossos corações os seus valores, de outro, Cristo nos dá o seu próprio exemplo para combatermos em nós os valores do mundo e do pecado.
O objetivo principal da graça de Deus é a salvação, mas Deus nos amou de maneira tão poderosa que a mesma revelação tem poder pedagógico sobre nós, para nos ensinar:
A vida de Cristo, ao revelar a graça de Deus, serve-nos, também, como o maior exemplo de vida, uma vida reta, sensata e piedosa;
Cristo, por sua vida, oferece àqueles que são objeto da salvação um exemplo digno da sua obra: “sede imitadores de Deus”, “Andai em amor, como Cristo nos amou”, “de sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus”, “Amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei”...;
Vejamos o irresistível exemplo de Cristo: não há nada no mundo que possa sobrepujá-lo, nenhuma outra conduta pode se comparar!
De que adiantaria se a vinda de Cristo, a grande verdade redentora, se apresentasse para nós de maneira fria e repentina? Do que aproveitaríamos dela? Ora, a carreira terrena de Jesus Cristo é um ato tão rico em misericórdia e amor, que não só manifesta a redenção, como nos dá o exemplo máximo, o ensino máximo, de que fazer diante dela, de como aproveitá-la e de como viver dignamente dela.
Se conhecemos a vida de nosso senhor Jesus, seremos educados por força irrestível do seu exemplo, após a operação poderosa do Espírito na nossa regeneração e conversão, ao ardente desejo de vivermos uma vida reta, de bom senso e de piedade.
Concluindo: vivendo reta, sensata e espiritualmente neste mundo¶
A graça nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões deste mundo, e a abaraçar a sensatez, a justiça e a piedade! Olhemos o exemplo de Cristo. Olhemos o nosso exemplo diante do mundo. A Fé/Fidelidade do homem justo nada mais é que a vida em que os valores espirituais são supremos, e que se caracteriza pela boa conduta e o bom senso.
Frase do Kierkegaard:
"O que importa é saber o que Deus realmente quer que eu faça; a coisa crucial é encontrar a Verdade pela qual estou disposto a viver e morrer. Mas que diferença faria se ela aparecesse derrepente diante de mim, fria e nua, sem se importar que eu a reconheceria? O que eu preciso não é apenas conhecê-la, mas fazê-la viva em mim, e é isto o que reconheço como mais importante.
É isso que preciso para viver uma vida humana completa, de modo a conseguir me ligado às raízes mais profundas da minha existência; através do que sou enxertado no divino, ao qual me agarro mesmo que o mundo possa desabar. É disso que preciso, e é por isso que luto."